segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Hoje nunca nos

Um rado coberto pela aurora de um dia indefinido assoma-se a logoa que nunca existiu e ,sobre um penhasco misturo-me no calor que desprende do teu corpo inerte que nunca existiu proximo. Sempre tao longe, nem perto, porque nao existe distancia, porque nao existe nos. Apenas uma aurora que adivinha a vinda de outro dia na tua ausencia.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"Mar Adentro" de Ramon Sampaio

Ramon Sampaio foi um pescador que,devido a um trágico acidente de trabalho, ficou tetraplégico e acabou por viver 30 anos da sua via acamado.. no seu percurso penoso até à morte desejou abraça-la no entanto como a eutanasia na altura era proibida nada podia ser feito..


Mar adentro foi um dos muitos textos que Ramon escreveu, tendo sido a sua subrenatural determinação e força de vontade para lutar contra a maré adaptada ao cinema e transformada num filme com o mesmo nome. Aqui fica um dos poemas mais belos que alguma vez pude deslumbrar, ( Clicar no acompanhamento audio) ------------------------------»


"Mar Adentro"


"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo,
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida,
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada,
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."


Ramon Sampedro

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Fronteira

Debruço-me sobre um lago translucido e nele vejo a tua imagem reflectida em mim, vejo o contorno do teu rosto, destingo o azul dos teus olhos..permito-me a mim mesmo silenciar-te numa eterna tentativa de te tocar sem transbordar o real que ainda existe em ti!
Consigo sentir o cheiro melancolico que se apodera de mim, quero libertar-me deste mundo e poder emaranhar-me no teu, percorrer cada infíma particula do teu ser.
Mas, de uma maneira incompreesivel, quanto mais força dispendo em tentar aproximar-me, a barreira ergue-se ainda mais magestral e imponente, nada consigo fazer se não vislumbrar-te do outro lado da fonteira...A fronteira, o eterno lago que me osculta o bater ivoluntário do coração, e assim vou ser eternamente teu, do outro lado da fronteira.
"Together we will live forever"

domingo, 6 de julho de 2008

Divagação 1 - Último Samurai

Não pretendo com este pequeno deambular de ideias, impingir nenhuma verdade, não expero que o leiam ou que em vós se forme alguma componente critica, até porque como é congénito do meu insignificante ser, apenas relato pensamentos vindos do canto menos racional do cortex "cerebral".
Pois bem, é uma manhã de domingo, e como todas as manhãs de domingo deixo-me enrredar noutras existencias, e tento por berves momentos criar uma fuga ao mundo real, e entao, no caminho para casa, vindo do cafézito, deparo-me, como muitas outras vezes, a reflectir sobre todo o que está para além das imagens desse, que para mim, é um grande ( rico) filme, o último samurai. Começando pelo lado visível e audivel, teria que deixar o meu testemunho de zelo para com o memorável compositor Hans Zimmer que conseguiu reunir num só album uma tempestade de sons que se entrelaçam perfeitamente, tais homens e mulheres num coito harmoniozo. Nunca antes e nunca depois consegui disfrutar de uma banda sonora que se enquadrasse tão maravilhosamente no filme, arrisco-me a dizer que a banda sonora do último samurai é o guião que vai para além das palavras proferidas, é o mar condutor do real ao sentido...de qualquer maneira, penso não vos estar a tocar minimamente, nem superficial nem bem lá no fundo, pois é muito pessoal, todos os sentimentos vividos pelas personagens, transpirados pelas melodias trágico - dramáticas.
Agora, prescrutando-me ao lado não visível do filme ( irónico não é, se a essencia do filme subsiste nas imagens), sem querer relegar a importância do já referido, a coração que bombeia a lógica generativa do filme encontra-se ocultado no entanto é passivel de ser vista por mentes alargadas ( e mais tarde hei de explicar isto de consciência alargada )...não querendo entrar em pormenores, penso que o filme além de retratar uma época da história da humanidade, época essa que remonta à revolução industrial, assim como que a irrecusável submissão dos mundo Oriental a essa sedução que é a evolução material, virus teve o seu germino no Ocidente. Isto é o que é visivel, é o contexto que o filme proporciona para tratar de valores mais humanos, e tenta ilustrar o que vai acontecendo na actualidade.
O homem oriental afigura-se como a força que liga o lado humano do Homem ao terreno, ao de mais puro e de mais básico. Não conhece a máquina, realiza todas as suas tarefas artesanalmente...aonde quero chegar é que inevitávelmente o Homem está confinado á sua auto-destruição, quanto mais sabe mais quer ficar a saber e mais cede às tentações do "pecado"...(to be continued)...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Amor

Substantivo concreto revestido de tudo e nada, inexistente para aqueles que não o poderam deslumbrar transfigurado em risonhos e suspiros aflitos quando redescoberto. Trocado por meras esmolas da paixão ou então confundido com a máscara doce do egoismo quando confortantes e gentis carícias nos confortam a pele do rosto tal esmola cintilante desencontrada na algibeira de um pedinte..
Arma fatal que trespassa o coração, mordaz pela verocidade com que dilacera a lucidez, empurrando-a para uma cosciência voluntáriamente perdida. Força impulsionadora de sonhos, de rios de historias, fábrica de ilusões, manta ocultadora da solidão..
Marginalizado, vulgarizado por hormonas excitadas na busca da felicidade premeditada...materia, energia,quimica, explosão de karmas ou apenas mãos entrelaçadas quais linguas trocando festas de um mar eterno.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Tao longe...

Somos como o céu e o mar, paralelos para sempe sem nunca se cruzarem...

Somos como a nascente e o mar que correm pelos mesmos meandros sem nunca se misturarem completamente

Somos como a lua e o sol, enriquecemo-nos mutuamente sem nos sentirmos..sem te poder respirar...sem te poder tocar..

A cada dia tempestuoso na tua ausencia, a distancia entre nós aumenta..e sinto-me tão longe..

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Piano

Sinto-me extenuado. A simples passagem do tempo que se desenvolve numa sequencia exaustiva de dias, e que insensatamente me prende à vida.
Domingo precede à 2ªfeira, com ela 24 horas voam para dar lugar à 3ªfeira...e todos os dias se sucedem, sem com eles um motivo para os ver nascer.
Percorro sempre o mesmo caminho em que as pernas me doem, de corpo presente, sem espirito, sem vontade...apetece-me gritar alto, libertar este apertar que me mantem aprisionado no vazio do silêncio.
Só me sinto livre nas teclas do piano, em que por breves momentos, a melodia se entranha no ser que existe, atormentado e indignado, dentro de mim...sim, em breves momentos sinto-me feliz, no prolongamento da melodia que ecoa nos recantos do pensamento...
A cada compasso, a cada acorde em cada nota, é me arranacado esta dor de viver, e mergulho num mundo só meu...eu e ele, eu e o piano. E assim flutuo, longe de tudo e de todos, ao sabor da melodia, que percorre as mais infinas partes de mim.