segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Piano

Sinto-me extenuado. A simples passagem do tempo que se desenvolve numa sequencia exaustiva de dias, e que insensatamente me prende à vida.
Domingo precede à 2ªfeira, com ela 24 horas voam para dar lugar à 3ªfeira...e todos os dias se sucedem, sem com eles um motivo para os ver nascer.
Percorro sempre o mesmo caminho em que as pernas me doem, de corpo presente, sem espirito, sem vontade...apetece-me gritar alto, libertar este apertar que me mantem aprisionado no vazio do silêncio.
Só me sinto livre nas teclas do piano, em que por breves momentos, a melodia se entranha no ser que existe, atormentado e indignado, dentro de mim...sim, em breves momentos sinto-me feliz, no prolongamento da melodia que ecoa nos recantos do pensamento...
A cada compasso, a cada acorde em cada nota, é me arranacado esta dor de viver, e mergulho num mundo só meu...eu e ele, eu e o piano. E assim flutuo, longe de tudo e de todos, ao sabor da melodia, que percorre as mais infinas partes de mim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Medo

"Percorro vastos desertos de gentes, pérfidas figuras que nos olham.

Um sim com compaixão, ou diria, delicadeza em tons de Obrigados.Não, nao te quero magoar, porque me pertences, percebes?Não, nao consigo entender, quando diante de mim existe o

vacuo, ocupado por ninguem, e no entanto multidões.

Que se acusam na penuria de serem amigos, seres promiscuos, culpados apenas pelo crime de germinarem no seculo das trevas onde o excesso de luzes intermitentes, atenua o calor natural Humano.

Amigo, ser existente para nos nao fazer esquecer tempos remotos.

Reflecções de nós próprios, intuito unico de nos avivar o espirito. Perpétuas Multiplicaçoes de espelhos dos espelhos. E no entanto, sosinhos........"



Flexurmind

Vazio

Vazio desprovido de significado interior, o meu ser deambula entre névoas que me tornam
imperceptivel. Angustiados olhos tentam desenhar formas defeniveís, sem que arduas
tentativas sejam frutiferas... Sinto a ausencia de algo que me preenche como ser humano,
o tormento de não o sentir de novo, gela-me numa penuria perpétua...desalento errático
sucumbe por entre efémeros momentosde entusiasmo e em ti eu quero me salvar...
em ti...



Flexurmind

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O teu riso

"Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.~

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosada minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,ri-te das ruas
tortas da ilha,ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão
quando voltam meus passos,
nega-me o pão,
o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."




Pablo Neruda
"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...


Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...


Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."


Pablo Neruda

Sem ti

Bons momentos guardados em mesinha de cabeçeira. Não. todos osdias recordo. Sim choro

porque sinto a tua ausencia e indiferença...o teu sorriso atrevido, a tua melodia...não ja nao

suporto ver-te longe. nao te ver...quero te perto. O que sinto eu, sinto um abafo, coração que

sufoca a cada batimento, a morte me chegou mais chedo. será?de que vale a pena existir sem

ti...sem teu cheiro, sem teus tormentos, sem tuas implicações, sem teus desejos/meus sem te

poder tocar...assim nao quero existir...


Flexurmind
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