quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Silêncio

O silêncio possuía a palavras que queriam ser ditas, o silêncio pôs-se à espreita, e com palavras vastas encontrou um domingo de chuva, estavas vestida de calças da cor da relva, e camisola de lã da cor do sol, entre raios de sorrisos queimados, e saltitares enérgicos, trocávamos trejeitos de cumplicidades, aqueles olhares que duas pessoas trocam quando o que pensam confunde-se com o que sentem.

A chuva oblíqua batia no pára-brisas do carro, enquanto o silêncio, cheio de palavras fartas, se debruçava sobre o muro alto da memória e observava dois corpos unidos, que se confundiam com uma massa aglomerada de pele, dois corpos a respirarem por 4 pulmões, dois corpos que eram guardados pelo mar, e em frente ao mar, no interior do habitáculo do carro eram protegidos do vento frio que insistia em afastar o calor.



O silêncio, tornou-se valente e ousado, e perfurou uma massa de pessoas a ouvir musica que flutuava ao demando mecânico de um DJ qualquer, e surpreendeu-se quando viu os mesmo corpos, desta vês vestidos, a embalarem-se ao som da musica qualquer que o DJ qualquer soltava, os corpos olhavam-se e emitiam sons, trocavam feições, e partilhavam o que eram.



O silêncio esforçou-se arduamente para acompanhar os dois corpos, que distraidamente corriam lado a lado, e pareciam partilhar os mesmos membros, ao silêncio escapou muitas corridas esgotadas, ora aqui, ora acolá.



No silêncio se prolonga as conversas mais interessantes que um dia calhou existir, no frenesim sonoro onde mora o silêncio, reside as palavras que se trocam, e as que nunca foram repartidas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Improviso de sentimentos

O que as palavras não conseguem expressar, o que os ouvidos estranhos não conseguem filtrar;

O que os olhos não conseguem perscrutar, o que a razão nãp consegue explicar;

O que o coração não consegue suportar...os dedos mexem-se ao ritmo da alma, e em uníssono com o piano derramo emoções que apenas eu sei entender.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ainda somos humanos?!

Com os auscultadores colocados nos ouvidos, ligados ao meu telemóvel, ouvia a minha banda sonora favorita, o ultimo samurai, enquanto corria na passadeira do ginásio, e olhava para o exterior, onde figuravam arvores desnudadas pelo tempo e automóveis que protegiam as pessoas do frio gélido do inverno.

Enquanto corria distâncias no mesmo lugar, a minha mente tomada por uma efervescência muito própria, deambulou para outras paragens, e deparei-me a pensar no poder sobre-humano que, hoje em dia, o dinheiro tem.

As pessoas, na febre lúcida de tentarem acrescentar mais um euro ao seu cofrezinho particular ( hoje em dia as pessoas abrem-se no inicio, e fecham-se no final do dia como se de pequenas empresas bancárias tratassem), tornam-se autênticos animais, comportando-se como tal, mas sempre de uma forma “humana” e “educada”, esperando pelo momento certo para atacar a presa. As pessoas, para acrescentarem mais um euro ao mealheiro de vaidades, gastam tempo em projectos e esquemas, e esquecem-se do tempo em que ainda se dedicavam aos princípios e valores verdadeiramente humanos.

Com a pobreza de muitos , outros enriquecem compactuando com o Diabo, abdicando, gradualmente da alma humana.

Toda esta necessidade de subsistir (porque infelizmente não existe vida sem a moeda que a pode comprar, de carregar e transportar no bolso (hoje em dia uma algibeira já não basta ser feita em algodão, tem que reluzir bordados de ouro) a matéria prima de troca, que permite alcançar a alegria, e para muitos, a felicidade eterna, sobrecarrega com inabalável peso a imperiosa responsabilidade de TERMOS que TER dinheiro.

O tempo dedicado à realização do simples e do belo, àquilo que realmente nos trás e que nos permite dar prazer é excluído das “agendas” ( porque na actualidade, se não tiveres uma agenda é porque não fazes nada na vida, não és nada, não chegas a ter a dignidade merecida por um insecto), é relegada para “quando houver tempo” , ou então é completamente aniquilada pelos “não tenho tempo para X, Y ou Z”

Fico triste ao ver como o ser humano se deixa seduzir compulsivamente pelo poder e peso do dinheiro, da forma como confunde a palavra “amar” e “gostar” com aquilo que lhe permite tecer mais uma linha dourada envolta, ou até dentro em alguns casos, das algibeiras antes simples e belas.

Mete-me repulsa pensar que não conseguirei escapar às garras do superficialíssimo e desumanismo (acabei de inventar este vocábulo) atroz que se verifica nos dias que correm.

Para quê perder um dia, um mês, perder a vida na tentativa de acrescentar mais um euro à fortuna idilicamente sonhada? Porquê se confunde a felicidade com essa viagem sem retorno? Porquê deixamos de apreciar o simples e o bonito? Aquilo que vemos e ouvirmos.

Pois é, o tilintar da moeda torna-se tão alto, tão colossal e arraigado que abafa a voz do espírito, aniquila completamente o prazer que antes houvera em ouvir o próximo.

O poder incessantemente maior do dinheiro está a furtar a identidade humana das pessoas, transformando-as em maquinas desprovidas de espírito e sensibilidade, nega a atenção de nós para nós mesmos e de nós para os outros.