E tudo que iria acontecer, teve inicio num expressivo e em unissono " Foudasse caralho pa merda! puta que pariu isto" quando nos vimos enrredados no caotico transito que se fazia ver, e ouvir, em terras da mouras. Apos inumeras voltas com o ruido do parachoques tombado a lamber o asfalto humido, e o ritmado tilintar da chuva sobre o metal do carro, la encontramos um lugarzinho onde estacionamos, e com algum sofrego retiramos as merendas e haveres que tinhamos para levar connosco, e la pusemo-nos a monte.
Depois de uma caminhada sob a chuva colorida de luzes urbanas, chegamos ao pavilhao atlantico, e com surpresa, vimos a imensa gente que serpenteava para a entrada. Remedio foi, se nao aquele de esperarmos pela nossa vez de adquirir o bilhete. E no perfilar de centenas de figuras, umas residentes de la, outras vindas de outras terras, todas elas se moviam indiferenciadamente, sopravam palavras que vagueavam por entre as gotas de chuva, mas era apenas a tua voz que eu ouvia.
Escolhidos os lugares onde iriamos assistir ao concerto, e depois de chimparmos forte por duas "loiras", estavamos preparadissimos para ouvir as melodias freneticas dos 80's, que estavam prestes a renascer. Para onde quer que olhava via pessoas a demonstrar o apreco e paixao pela banda, ora agitando freneticamente os bracos, ora ondulando devagarosamente os ombros, uns cantavam diliradamente, enquanto outros, abrindo a boca, emitiam sons mudos que se prolongavam na voz do vocalista...
ja outrora, quando assisti a outras bandas, em outros concertos, servi-me dessa energia, e encontrei alegria, nas palvras musicatas..desta vez, encontrei-a nao na voz do espectaculo, mas no sorriso que esbocavas enquanto prescrutavas o palco, acompanhado de movimentos dancantes que se prolongavam eternamente no brilho do teu olhar... parado, declinado sobre as paredes que me seguravam o corpo, e este por sua vez, aparava a queda a uma cerveja, poderia parecer que me mantinha indiferente, enquanto na realidade nutria-me de felicidade ao ver-te alegre aos pulos infantis e inocentes...
Terminado o espectaculo procuramos abrigo para o estomago numa das tabernas na docas, na qual despejamos um caldo verde pela gargantilha abaixo e devoramos um bom pao com chourico acompanhado por um tintol.
Sem comentários:
Enviar um comentário